Thursday, April 5, 2007

Há 10 anos atrás - Parte I

Há 10 anos atrás eu tomei uma decisão muito importante na minha vida, decidi deixar o Brasil. Vou então contar os motivos da minha decisão e porque deixei meu querido Brasil, brasileiro... Ai vai um textinho que escrevi no livro, mas como é grande vou postar por partes.


Parte I
Durante o meu doutorado, depois que voltei do Alabama para o Brasil em 1994, eu tinha decidido que não mais voltaria aos EUA para trabalhar. Eu não tinha gostado do estilo de vida, do jeito competitivo americano, da cultura, etc. Mas depois de 3 anos respirando ar latino do Brasil e do Chile, conheci um astrônomo, Bob Williams, que me fez mudar de idéia.

Eu o conheci quando ele foi ao Brasil dar um palestra em homenagem aos 45 anos do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) em 1996. Batemos um longo papo e fiquei admirada em saber que existiam astrônomos assim. Ele era na ocasião o diretor do Instituto do Telescópio Espacial Hubble (STScI) e deu uma palestra fascinante sobre as descobertas do Hubble. Ele mostrou as imagens profundas do universo que o Hubble acabara de tirar e contou como ele tinha decidido usar os 10% do tempo de observação com o Hubble, que como diretor ele teria direito, para observar uma única area do céu. Ele disse que ao perguntar a vários astrônomos americanos qual o projeto que eles fariam se o Hubble fosse deles, muitos disseram que apontariam para uma região vazia do céu e que deixariam o telescópio apontando por vários dias e coletando toda a luz possível.

Este tipo de projeto era um projeto de alto risco pois os resultados poderiam ser desapontadores e provavelmente não seria aprovado pela comissão que julga os projetos anualmente. Ele achou a idéia interessante e jogou na sorte, disse que muitas vezes o risco caminha ao lado das grandes descobertas. Ele arriscou e ganhou. Em 1995 o primeiro campo profundo do Hubble (Hubble Deep Field) revolucionou a astronomia mostrando pela primeira vez o universo distante com detalhes nunca visto antes.




O Hubble passou 150 órbitas apontando para uma área praticamente vazia na constelação da Ursa maior, revelando centenas de galáxias distantes e em processo de formação. Foi possível identificar objetos até 15 vezes mais fracos do que aqueles vistos em outros campos profundos obtidos com telescópios terrestres. Os objetos mais fracos identificados no HDF chegam a ser 2.5 bilhões de vezes mais fracos do que as estrelas identificadas a olho nú.

4 comments:

GDBalista said...

Muito interessante! Sou fascinado pelo Hubble!

Rey said...

Bob Williams - o sortudo que tinha 10% do tempo no Hubble, só p/ ele.

Duília, quantas vezes você vem ao Brasil?
E no momento, você está "blogando" de onde?

Feliz Páscoa a todos!

Ivan Luís said...

Tenho essa imagem tão importante em resolução massiva em TIFF e sempre fico observando aqueles aglomerados de galáxias na imagem :-)) é sensacional!

duilia said...

Rey, eu geralmente vou ao Brasil uma vez por ano, mas tem ano que vou 2 vezes e às vezes fico mais de ano sem ir. Geralmente blogo de casa, mas qdo dá tempo passo pelo blog na hora do almoço lá da Nasa ou da Johns Hopkins.