Saturday, September 9, 2006

A Descoberta da Supernova, Parte II

Lá pela 1 da madrugada, após apontar o telescópio para a coordenada de uma das galáxias, comecei a contar estrelas identificando precisamente quem era quem no mapa do céu e no visor da buscadora[1]. A galáxia em questão, NGC1536, praticamente não aparecia no visor, pois é um objeto muito distante. Mas próximo a galáxia havia uma estrela no visor que não estava no mapa. Por triangulação calculei a posição da estrela intrusa em relação à galáxia e para minha surpresa verifique que a estrela estava superposta à galáxia! Foi aí que decidi rodar o instrumento que eu iria utilizar na observação da galáxia, um espectrógrafo[2], e centrá-lo exatamente sobre a posição do objeto estranho. Eu poderia ter deixado ter decidido a observar apenas o núcleo da galáxia sem incluir a estrela na fenda do espectrógrafo, mas curiosidade é um dos meus pontos fracos e não pude resistir.
Meu namorado na ocasião, que hoje é meu marido, veio me visitar enquanto eu aguardava o resultado. Tommy trabalhava no mesmo observatório auxiliando os radioastrônomos suecos e já tinha terminado o trabalho daquela noite quando veio me trazer um mixto-quente. Quando eu disse para ele o que estava fazendo, ele pensou que eu estivesse brincando. Mas assim que o resultado apareceu na tela, arregalamos os olhos e decidi telefonar para um outro astrônomo do observatório, Chris Lidman, para pedir a opinião dele e continuei a observar as outras galáxias. Quando o Chris chegou a mesa já estava cheia de livros do assunto e já sabíamos classificar a supernova. Ele confirmou que os dados se pareciam mesmo com os de uma supernova e sugeriu que eu conversasse com um outro astrônomo, Stefano Benetti, no dia seguinte para confirmar a descoberta e providenciar outras observações.
[1] Este telescópio não produz imagens, mas possui uma luneta de grande campo, uma buscadora, que mostra o campo a ser observado e a fenda do espectrógrafo em uma telinha de televisão.
[2] Espectrógrafo é um instrumento que decompõe a intensidade da luz como função do comprimento de onda.

1 comment:

thyelle said...

a descoberta da supernova é demais!!!!!!!!!!! adorei